O timecode é
uma designação técnica da SMPTE - Society of Motion Picture
and Television Engineers, para o sistema de referência numérica
de vídeo e áudio.
A primeira versão de timecode desenvolvida foi o formato “non-drop-frame
timecode”, que representa um valor numérico para cada fotograma
de imagem, com 30 fotogramas por segundo. São quatro campos de dois dígitos
sendo o primeiro campo representado pela “hora” de 0 a 24; em seguida,
os “minutos” de 0 a 59; e os “segundos”, também
de 0 a 59; e finalmente os “frames”, de 0 a 29. É um sistema
preciso para rastrear os fotogramas individualmente ou posicionar edições.
Porém tecnicamente falando, o vídeo NTSC, por uma questão
matemática, corre na realidade a 29,97 fotogramas por segundo, e não
a 30. Então quando se compara o "tempo real" com o “non-drop-frame
timecode” existe um lapso de 3,6 segundos a cada hora. Isto é um
grande problema se pensarmos numa emissora de televisão, por exemplo.
Se a programação diária termina à meia noite e houve
um lapso de 3,6 segundos a cada hora, no final da programação
haverá um espaço vazio de quase um minuto e meio até o
início da programação do dia seguinte.
Para sincronizar o tempo real dos relógios, com o lapso de tempo marcado
pelo timecode, os engenheiros desenvolveram o “drop-frame timecode”
onde dois números de fotogramas são eliminados a cada minuto,
exceto quando o tempo do minuto termina em zero: 10, 20, 30, 40, e assim por
diante, lembrando que os fotogramas não são fisicamente eliminados,
somente a sua representação numérica.
Adotou-se então que o drop-frame timecode é usado em emissoras
de televisão ou na produção de produtos para televisão,
e o non-drop-frame em produtos que serão distribuídos em fita
e não serão transmitidos.
Modelos de Geração de Timecode
O modelo básico
de timecode é o Free Run/ Time of Day. Significa que o gerador interno
de timecode funciona como um relógio, exibindo o horário atual
do dia. O relógio corre continuamente, esteja ou não o gravador
funcionando. É o timecode mais conveniente, basta o operador olhar o
seu relógio para marcar o início.
Geralmente é usado em produções com várias diárias
ou que seja necessário saber a que horas os fatos aconteceram.
Outro modelo de timecode é o Free Run/ User Set. A diferença com
o anterior é que este é gerado a partir de um valor numérico
determinado pelo operador e o gerador permanece ativo, mesmo se o gravador não
estiver em operação.
Muito usado em shows e eventos com mais de uma câmera. Facilita o processo
de edição, pois se for necessário localizar uma imagem,
você sabe que elas estarão no mesmo timecode em cada fita de cada
câmera.
Rec Run timecode significa que o gerador de timecode acompanha as paradas do
gravador. Os números permanecem em espera nas pausas e voltam a correr
exatamente do ponto onde pararam.
External timecode é a marcação gerada de uma fonte externa
e regenerada na fita.
Usado em produções onde o sincronismo é essencial e existem
vários equipamentos para serem sincronizados como VT, DAT, claquete eletrônica,
entre outros.
Qualquer que seja a sua necessidade lembre-se que os boletins de câmera
e áudio e a utilização de claquetes são indispensáveis
para que os timecodes façam sentido para o editor que não esteve
presente durante a gravação. É um cuidado que pode agilizar
muito o trabalho e até economizar recursos se estivermos falando de pós-produção
terceirizada.